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Pesca artesanal: tradição de quem vive do alimento que vem das águas

por | jun 1, 2020 | Comunidade | 0 Comentários

Cresci no meio de homens e mulheres tecendo tarrafas e redes. Desenvolvi-me como pessoa comendo peixes, camarões e mariscos trazidos por pescadores corajosos, que enfrentavam o frio, a escuridão e o preconceito. As habilidades de espiar solitariamente pela costa da lagoa, pé por pé, de mansinho, como um pássaro, para, assim num toque rápido abrir a roda da tarrafa e cercar o peixe, até hoje me mobiliza o olhar. Que destreza essas pessoas simples tem!  

No mar, me encanta o assobio do vigia, que com um olhar treinado, percebe a presença do cardume, ainda mais nesta época de tainhas, comunicando e alertando para colocar a canoa ao mar, armar o cerco com as redes e dar o lanço. Tudo deve ser preciso e sincronizado. Após o cerco, é a corrente de homens e mulheres de todas as idades, nativos ou não, que se unem para puxar, desemalhar, organizar, repartir e vender os produtos desta arte coletiva. 

Nosso(a)s pescadore(a)s  artesanais representam uma das maiores e mais importantes categorias de trabalhadore(a)s no Brasil e no mundo e, atualmente, vem enfrentando momentos complexos e críticos que colocam em risco a sobrevivência e a preservação desta cultura tradicional. A pesca artesanal é uma bandeira de luta para todos e todas que valorizam a tradição de homens e mulheres, pescadores e pescadoras, que vivem do alimento que vêm das águas. 

Por Rosa Nadir Teixeira Jeronimo

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