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Comer é um ato político

por | Maio 27, 2020 | Meio Ambiente | 0 Comentários

A crise sanitária e econômica que vivemos pelo Coronavírus trouxe a necessidade de repensarmos o modo como produzidos e o modo como consumimos. Essa é uma necessidade anterior a pandemia, que agora se torna urgente. Para pensarmos uma sociedade diferente da que vivemos, mais justa e solidária, é necessário olhar para o campo e oservar a forma como os alimentos chegam à nossa mesa. A ideologia dominante nos faz acreditar que só existe uma maneira: o Agronegócio virou a menina dos olhos. Através das suas transnacionais e tecnologias de ponta, aumentou consideravelmente a produtividade no campo nos últimos anos, o setor representa mais de 20% do PIB Brasileiro, número suficiente para que a propaganda midiática nos faça crer que o “Agro é tech, agro é pop, agro é tudo”. 

Um olhar mais atento, por perspectivas que não sejam meramente econômicas e que levem em conta o bem-estar da população, revelarão que de popular o Agronegócio não tem nada. São muitos os impactos negativos causados por este setor, não somente nas questões ambientais, mas também no âmbito social. O mesmo Agro que trouxe tantos benefícios tecnológicos e econômicos, enquanto a fome aumenta no país, é também quem envenena nossa comida, polui nossos rios, degrada nosso solo e tira das famílias camponesas sua fonte de sustento e a dignidade encontrada na terra. É o mesmo Agro que aposta em trabalhos análogos a escravidão para manter sua cadeia produtiva. O agro pode ser tech, pode ser tudo, mas está longe de ser pop. 

Em uma crise como a que estamos passando, os pequenos agricultores são os mais afetados economicamente. Diante desse contexto, em que os problemas sociais se acirram ainda mais, é preciso que pensemos em respostas. Nosso sentimento de empatia precisa se transformar em ações e a resposta imediata a esse sistema de degradação social e ambiental é o fortalecimento do pequeno agricultor da nossa comunidade. Fazendo isso, além de retirar o veneno do nosso prato e melhorar nossa saúde, contribuímos com a saúde da natureza e construímos uma sociedade mais justa e solidária. A saída para crise, diferente do Agronegócio, é popular!

 

 

Alexandre Brasil Machado
Voluntário da Sociedade do Bem Viver

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