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Diversidade no Canteiro

por | Maio 19, 2020 | Meio Ambiente | 0 Comentários

Você deve estar acompanhando a crescente divulgação de projetos agroecológicos, aqueles que buscam na natureza todas as respostas para o cultivo de alimentos, trabalhando pela regeneração do solo e promovendo a biodiversidade. O Jornal PDR traz algumas dicas de como começar sua horta em casa pela ótica agroflorestal, cuidando do solo e compostando seus resíduos orgânicas – usando a própria natureza ao seu favor. Agora, é hora de começar o plantio. Vamos nessa?

Tudo junto e misturado

Consorciar espécies é uma prática muito antiga, que se bem planejada traz benefícios não somente econômicos, pelo aproveitamento vertical dos espaços mas, sobretudo, ambientais por conta das associações benéficas (simbiose) que se dão pela integração das espécies. “Cada planta vai ocupar um andar, em um tempo, e uma quantidades de exposição solar. Assim elas poderão desenvolver melhor as raízes entrando uma na área das outras plantas e trocando nutrientes. Se as plantas são alopáticas, ou seja, se elas se beneficiam na presença umas das outras, melhor ainda. 

Se são antagônicas, é melhor ficarem mais distantes entre si”, explica o Agricultor Agroecológico Vinicius Cardoso.

“É preciso conhecer as características ecofisiológicas de cada planta para elaborarmos arranjos mais saudáveis e harmoniosos. O trabalho de observar a natureza, sua dinâmica e funcionamento é o que buscamos fazer.

Aos poucos vamos nos RE-integrando a vida, vamos aprendendo que para regenerar precisamos não muito mais de que sementes e saberes”, completa Vinícius, que também trabalha com bioconstrução e educação ambiental.

Na Prática

A seguir, seguem exemplos de consórcio que podem ser aplicados em qualquer horta doméstica:

– Na linha central couve e manjericão, mas poderia ser só couve ou brócolis, ou couve flor a cada 60 cm. Entre a linha central e as laterais 20 cm de espaçamento. Nas áreas laterais, rúcula a cada 25 cm. Poderia ser rúcula com alface a cada 35 cm.

– Na linha central a cada 60 cm: repolho, couve, brócolis ou couve flor; batata doce (a cada 1 m), cebolinha (a cada 30 cm), milho (a cada 1 m). Nas áreas laterais, rabanete /  beterraba a cada 25 cm.

“Há aproximadamente 5 mil anos milho, abóboras e feijões são cultivados juntos pelos povos nativos latino-americanos. Plantadas no mesmo espaço, o milho fornece a haste para os feijões escalarem; os feijões fornecem o nitrogênio ao solo para nutrir o milho; a abóbora impede a competição da vegetação não desejada e protege as raízes rasas do milho”, lembra o Engenheiro Florestal Bruno Lenzi Caldonazzo.

 “Baseados no ‘círculo da vida,’ ou na ideia que todas as coisas vivas interagem para a sobrevivência, muitos povos latino-americanos nativos incluem referências às “Três Irmãs” em histórias de sua cultura, considerando as três espécies como presentes sagrados. Nutricionalmente milho, feijão e abóbora se complementam: o milho fornece carboidratos, o feijão a proteína e a abóbora vitaminas e carotenóides.”

Para quem quiser saber mais sobre todo o processo e implementar, siga no instagram:   @oraizeiro   @lenziagrofloresta

Créditos: Arquivo Pessoal  Reportagem: Glaucia Rosa Damazio

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