Álcool na adolescência

by | Nov 15, 2019 | Corpo e Mente | 0 comments

O álcool é a substância psicotrópica considerada a droga legal mais utilizada por adolescentes no Brasil e no mundo. Afeta negativamente o desenvolvimento cognitivo, emocional e social do jovem e tende a desencadear outros comportamentos de risco, como uso de drogas ilícitas e tabaco, além de risco sexual e maior número de acidentes automobilísticos na faixa etária de 16 a 20 anos. “Cerca de 39% dos adolescentes experimentaram álcool pela primeira vez entre 12 e 13 anos, com familiares e amigos. Os adolescentes utilizam muitas vezes por curiosidade, diversão, pressão do grupo social em que estão, para diminuir a sua ansiedade e devido à baixa autoestima”, informa o médico Pediatra Rômulo Warken.

“A maior dependência, em sua estrutura de vida, costuma ocorrer devido a traumas, separação dos pais, brigas, agressões, falta de suporte dos responsáveis, além de uso de drogas dos mesmos, com incapacidade de controle dos filhos, dificuldade para educar e estabelecer limites necessários, gerando atos de indisciplina. Há uma tendência ao maior consumo pela ausência de autoridade dos pais, descumprimento de regras e carência de afeto e apoio familiar”, completa.

Como consequência, uma série de prejuízos biológicos, sociais, pessoais e emocionais; atividades sexuais sem proteção (gerando doenças sexualmente transmissíveis), déficit de memória, com diminuição do desempenho escolar, indisposição e aumento do prejuízo educacional. “Por vezes, o consumo também gera episódios de agressividade e violência sexual”, alerta.

Cultura, esporte e lazer 

A exposição excessiva ao álcool é uma fuga, que pode ser substituída por outras atividades relacionadas à cultura, esporte ou lazer.  “A criação de ambientes de atividades culturais, onde os adolescentes dialogam, relatem medos e carências e descubram fatos novos com outros adolescentes, socializando experiências e estabelecendo novos laços de amizade”, sugere. “É de suma importância a participação dos pais na vida dos filhos, determinando regras de convívio, um rendimento escolar satisfatório, além de relações com outros núcleos de comunidade, como igrejas, grupos desportivos, entre outros”, exemplifica o médico Rômulo.

O médico sugere ainda que para mudar o comportamento do consumo de álcool é preciso mudanças nas políticas de restrição ao acesso. Uma maior fiscalização de idade mínima para beber (maior de 18 anos), além de proibição de publicidade e marketing de bebidas alcoólicas.

“Devemos promover atividades esportivas e culturais; a sensibilização de líderes juvenis com objetivo de apoio ao adolescente é fundamental. Além de tudo, melhor que a conversa é o exemplo. Nessa fase, linguagem não verbal é muito importante e a rotina em casa e o comportamento dos pais também. Suporte familiar, autonomia emocional, financeira e social, hábitos saudáveis e muito envolvimento afetivo por parte da família, com diálogo aberto e colocação de limites contribuem de forma positiva a fim de evitar o uso de drogas, entre elas, o álcool”, completa o médico pediatra.

Foto: Atleta Alexia Monteiro/ Prime Press 07 Assessoria e Comunicação