Ciranda de Mulheres Cerpalo: um círculo de amor

by | Sep 9, 2019 | Comunidade | 0 comments

Um espaço de acolhimento, de compartilhamento de saberes, de comunhão e de afeto

Fotos: Fabrício Photos
Colaboração: Nabile Oriqueis

Um belo projeto encerrou seu ciclo na região. A Ciranda de Mulheres Cerpalo, iniciativa desenvolvida pela psicóloga Rosa Nadir Jerônimo Teixeira, trabalhou na busca do bem-estar, do fortalecimento de vínculos e do empoderamento de mulheres em encontros de Terapia Comunitária Integrativa, gratuitos e abertos, nos bairros de Ibiraquera, Sambaqui, Arroio, Araçatuba e Penha da cidade de Imbituba.

No dia 31 de agosto, as cirandeiras se encontraram para fazer o círculo mais uma vez. E com os olhos marejados cantaram e agradeceram com emoção a oportunidade de transformação em suas vidas. Foram 14 meses de projeto. Em Ibiraquera, o bairro piloto, foram 17. Cerca de 70 mulheres passaram pela roda. As 49 participantes que concluíram a jornada receberam o certificado do curso, que se transformou no livro Ciranda de Mulheres – integração e cooperação para o fortalecimento de vínculos, escrito pela psicóloga Rosa Teixeira e produzido com o apoio da Cooperativa de Eletricidade de Paulo Lopes (Cerpalo).

“Agradeço pela presença de todos os envolvidos e envolvidas direta ou indiretamente. É um projeto coletivo. As cirandas possibilitaram o compartilhamento de experiências, das histórias de vida, das competências e habilidades, da capacidade de superação, da resiliência. O compartilhar e o acolhimento dessas sábias mulheres trouxeram, além do autoconhecimento, o reconhecimento da unicidade de mulher e o valor de ser parte de um grupo”, compartilha a terapeuta Rosa.  “Certamente, essas mulheres que escolheram participar das cirandas aprenderam novas formas de ver o mundo comigo. Em contrapartida, eu aprendi muito com elas”, completa.

“Para a Cerpalo, é muito gratificante fazer parte desse projeto que auxilia na evolução das pessoas. Esse é o nosso intuito: investir nas pessoas e deixar um saldo positivo para a comunidade”, completa o vice-presidente da Cerpalo, Moacir Nasario Alves.

As cirandeiras

“Fui para o grupo a convite de uma amiga e por curiosidade. Gostei demais e continuei, se deixei de ir um dia ou dois, foi muito. Até de muletas eu fui! Já sinto saudade. Entrei no grupo como uma pessoa negativa em tudo. Tudo era o ‘não’, eu não sabia o que era o ‘sim’. Eu tinha muito medo, quando ouvia os Bombeiros ou a Polícia, tinha medo de uma notícia ruim; medo de tristeza, desânimo. E foi ali, sem médico ou remédio, que entendi que a vida tem momentos altos e baixos e que temos que aceitá-los. Passei por momentos difíceis, como a minha cirurgia de hérnia da coluna. Se fosse antes do grupo eu teria caído, mas reagi muito bem, pensando positivo e deu tudo certo!

Maria Salomé Campos Gonçalves (Ibiraquera)

 Aprendemos a dizer ‘não’ e dizer ‘sim’. Aprendi a pensar mais em mim. A primeiro me amar pra depois amar os outros. Eu amava os filhos, o marido, os amigos e me deixava de lado. Isso serviu de exemplo: primeiro eu. Tenho muito a agradecer a Rosa e ao grupo que nos ensinou a viver; Agradeço a Deus por tudo que o grupo passou comigo. E se o projeto voltar, sou uma das primeiras a me inscrever!”

Cleusa Tremtim (Arroio)

“Um dia ao escutar nossa rádio local, ouvi uma entrevista da querida Rosa sobre o Projeto Ciranda de Mulheres. Não pensei duas vezes e fui ao seu encontro. No primeiro momento, não tinha muitas pessoas, mais ali nascia a Ciranda de Mulheres do Arroio. Foram poucos encontros, mas todos bem gratificantes. Todas tiveram a chance de se posicionar, refletir sobre o seu ‘eu’ e também serem confortadas quando necessário. Ganhar um abraço pelo que cada uma representava ali, sem nos importar com nada, porque ali não éramos julgadas. O projeto envolvia várias idades e também várias culturas. Juntas, conseguimos partilhar nossos costumes, como a vez que levei chimarrão e todas tomamos. 

Hoje posso dizer o quão gratificante foi fazer parte dos encontros com mulheres de outras comunidades; receber um abraço de uma pessoa que eu nem conhecia. O grupo era um momento nosso. Falávamos sempre do EU e nunca do outro. A gente brincou, riu e chorou junto. Obrigada a Rosa, pois foi através dela que várias de nós floresceram. E jamais esquecer o querido Sr. Nilso, juntamente com a CERPALO, por permitir que esse projeto saísse do papel e hoje estamos todas nós nesse maravilho livro.”

“Conheci a roda através da minha mãe, que estava doente, e recebeu uma visita e o convite. A mãe estava desanimada e eu pensei: “vou para roda e vou levar ela junto.” Fui pela minha mãe, mas aprendi muitas coisas, fiz amizades. Aprendi a dizer o ‘sim’ e o ‘não’ na hora certa; a ser uma pessoa mais corajosa nas decisões, a ser uma pessoa mais decidida naquilo que eu quero, a não ter mais medo. Foi maravilhoso o que aconteceu esse tempo na nossa comunidade. E a mãe também adorou! No fim, ajudou ela e eu também. A mensagem que eu deixo para as outras mulheres é: “Seja você mesma, não o que os outros querem que você seja.”

Lucimara Neves Costa da Rosa (Penha)

Terezinha Nadir Teixeira da Ávila (Araçatuba)

“Comecei no Grupo no ano passado, exatamente no dia 15 de junho de 2018. A Ciranda me ajudou em vários sentidos. Lá eu pude encontrar amigas e também fazer novas amizades. Abordar certos temas, conversando com todas, cada uma citando suas experiências nos assuntos vividos, nos ajuda na afetividade e a sentir empatia. Agradeço a Cerpalo e a psicóloga Rosa pela oportunidade e por nos  oferecer sempre um belo encontro, a cada quinta-feira.”

“A Ciranda me ajudou a dialogar mais, a auxiliar as pessoas nos momentos de dificuldade com palavras de incentivo, um abraço amigo. E também comigo mesma, agradecendo sempre por todas as oportunidades que Deus me dá. Amadureci e aprendi a caminhar com plenitude, vivendo o presente, com uma lembrança sempre oportuna dos acontecimentos bons do passado e com pensamentos bons voltados para o futuro. Em meu dia a dia, a terapia me ajudou a refletir sobre tudo o que acontece em minha vida. Me ensinou a ter um tempo para mim mesma, para fazer as minhas orações, refletir. O meu recado para as mulheres é que elas amem-se muito e de verdade!  Sejam humildes e quando pensarem em desistir do que querem, lembrem que o Universo realmente conspira a favor, desde que você realmente acredite. É preciso ousadia para enfrentar o mundo e as próprias limitações. Permita-se ousar! Sempre trace metas, estabeleça prioridades e corra riscos para realizar seus sonhos. Melhor é errar por tentar do que errar por omitir-se!”

Maria Rosa Silva de Souza (Sambaqui)