Amar nunca sai de moda

by | Jun 28, 2019 | Comunidade | 0 comments

Pode ser clichê. Mas tem coisa melhor do que celebrar o amor? Não dá pra perder essa oportunidade. Por isso, o Jornal PDR separou algumas histórias inspiradoras de namorados das mais variadas.

Recompensa no dia a dia

Já são quase 63 anos desde aquela noite inesquecível, quando a dona Minervina juntou sua malinha e fugiu com seu Jair João Ribeiro. Naquele tempo era assim. Ou casava, ou fugia. E na ocasião, a união aconteceu no caminho a pé entre a Araçatuba e a Garopaba. Ela aos 16, ele aos 19, começaram juntos a vida da qual se orgulham nos dias de hoje. “Era difícil, sacrificado. Mas era bom”, lembra dona Minerva. “Carne era só quando tinha um doente. Arroz também não tinha. Era o peixe, a farinha de mandioca, as galinhas criadas no terreiro, banana, amendoim”, conta ela, que se dividia entre cuidar dos cinco filhos e depois mais três netos que também criou – no total são 12 -, cuidar da casa, ajudar o marido na pesca. 

As crianças brincavam, comiam o que tinha. Não era perigoso pra nada”, completa.

Seu Jair sempre foi um homem do mar. Pescou de rede, tarrafa, espinhel, linha e garateia. Foi durante 30 anos Presidente da Colônia de Pescadores Z12, de Garopaba. Se diverte ao recordar as histórias da mocidade. “Namorar era muito difícil. Pra tirar um beijo era um trabalho. E se tirasse, o pai mandava casar”, confessa. “Passava carros e carretas”, brinca. Mas ao ser questionado se a vida a dois compensa, ele nem pestaneja. “Ah, mas é claro! Hoje ela trata de mim e eu trato dela.” Seu Jair aconselha com sabedoria àqueles que buscam um relacionamento duradouro. “Numa briga, um enche a boca d’água e o outro sai pra dar uma volta. Cada um cede um pouco.” Que ecoe a voz da experiência!

As escolhas certas

Quem conhece o casal Elisa Souza da Rosa e Renato Soares certamente tem em seu inconsciente uma imagem sorridente. O bom humor e a alegria são marcas registradas dos pombinhos, que completam 21 anos da fuga que acabou em cerimônia de casamento junto com as bodas de Ouro dos pais da Eliza -dona Luzia e seu Guiomar Tobias da Rosa (em memória). O namoro, na época, durou pouquíssimo, coisa de dois meses. “Nós tínhamos 28 anos, dois adultos. Apostamos que iria dar certo”, conta o Renato. No começo tudo foi difícil e muito simples.

Os familiares ajudaram a estruturar o lar e os dois lapidaram a relação a dois. “Em um relacionamento é preciso tolerância. Que um sempre se coloque no lugar do outro, que às vezes abra mão de algo por um bem maior. Afinal, são duas pessoas diferentes, dois costumes, dois gostos, duas culturas”, pontua Eliza. “Casal que não discute não conversa. Discutir é natural. Mas o casal não pode ficar sem se falar. É preciso admitir que errou, pedir desculpas, dar o braço a torcer. E nunca abandonar o lado espiritual. Seja qual for a igreja, ela é muito importante para manter o bem da pessoa sozinha e do casal”, completa Renato. Dando risada com espírito eterno de adolescentes, o casal se espanta ao perceber que tantos anos se passaram e celebram a aposta que fizeram naquele fevereiro: “Parece que deu certo”, se divertem os dois.

Amor e arte

Foi lá por 2005 que a Ana Paula de Oliveira e o Marcos Diesel se conheceram, aqui na Praia do Rosa, vendendo seus artesanatos pela praia. A vida ainda deu algumas voltas, mas trouxe os dois para se encontrarem exatamente aqui e começarem uma história de amor e arte. Apaixonados e cheios de energia, o casal uniu os negócios e deu forma à loja Efeito Manual, que no princípio vendia apenas as suas produções. “Passávamos o inverno produzindo para vender no verão. Pegávamos bambus da Lagoa do Peri e ficávamos, às vezes por duas horas, cortando eles no meio da rua sem que passasse uma só pessoa”, conta o Marcos.

Os negócios e o amor foram crescendo e a Efeito Manual passou a vender também peças de outros artesãos para suprir a demanda. E já são dez anos, muita arte, amor e paciência para vencer os invernos do Rosa. “Tivemos baixas temporadas em que passavam-se 15, 20 dias sem que entrasse na loja um cliente. Mas tivemos paciência, dividimos as tarefas e nunca paramos de produzir e de sonhar. E o amor nos ajudou a vencer”, conta a Ana. “O Rosa nos abraçou. Aqui é nossa casa, onde acontecem as melhores coisas”, encerra Marcos.