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Pindó é uma das plantas sagradas do povo Mbya Guaraní. Na nossa história de origem ela é a base e a sustentação da terra. Conta que antes de se tornarem pindó, eram líderes xondaro, que sustentavam a primeira terra. Quando a primeira terra foi destruída, eles já eram anciãos e foram para morada de Nhanderu e lá são hoje os portais da terra sem males. São quatro direções os portais e no centro da yvy maraē’y tem um que é a fonte de energia que fica pulsando como um coração o tempo todo. Nós chamamos de Pindó Ovy, a palmeira azul.

É de tradição do povo Mbya cada vez que um ancião morre ou faz sua passagem para a Terra Sem Males, é plantado o Pindó, que além de ser um sustentável, acreditamos que a energia e do espírito daquele ancião vai nos proteger por longos tempos. Na nossa cosmologia, o pindó é um ancião por que ele não brota. Ele dura muito tempo, mas quando ele morre, ele não rebrota. Quando corta um pindó, ele não rebrota. Só nasce de sementes.

O pindó é 100% sustentável. Utilizamos as folhas para cobrir nossas casas, principalmente as casas de rezas Opy e também usávamos muito quando eu era criança e em muitas aldeias ainda usam, para forrar o chão.

É usado como colchão, dos fruto tiramos a polpa para tomar nossa bebida sagrada, dos cachos verdes se faz o sal, dos caroços tomamos a castanha, o tronco é preparado para criar e tirar uma larva que chamamos de yxó, que além de ser uma das mais requintadas iguarias, usamos a gordura para passar no corpo para não criar pelos.

Essa larva também é medicinal para problemas respiratórios. Tiramos também o palmito, que é uma delícia de comer cru ou assado com mel e a raiz é usada para fazer o ritual nas crianças que começam a trocar os dentes, para terem dentes fortes e sadios. Da raiz também dá para fazer o chá para dor de dente.

E esse pindó é daqui de casa, foi minha mãe Jaxuka Rete que plantou quando meu pai faleceu há quatro anos atrás. Assim vivemos nosso território, com corpo e espírito.(Jerivá)

Kerexu Yxapyry
Liderança Indígena Mbya Guarani

 

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