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Tá tudo bem!

por | jun 11, 2020 | Colunistas | 0 Comentários

Sabe aquele sentimento de que está tudo bem? De que mesmo as coisas não estando exatamente da forma que eu gostaria, está tudo certo? De que está tudo bem se hoje eu não acordei tão feliz e disposto? Ainda, de que eu tenho problemas, tristezas e fraquezas como todos as pessoas e que está tudo bem mesmo assim?

A sensação de que as coisas vão bem vai além da expressão em palavras ou da tentativa de se manter positivo diante dos conflitos necessários. Ela necessita ser sentida, acolhida, vivenciada. Somos condicionados a aprender desde pequenos que a tristeza é socialmente inaceitável e que é um erro estar vulnerável. Aprendemos que é vergonhoso deixarmos ser vistos como somos. Nessa linha de atuação, o lógico é vestirmos nossa armadura de alegria constante e, a exemplo do que postamos nas redes sociais,  agir demonstrando beleza, sucesso e satisfação em todos os momentos. 

Segundo a pesquisadora e contadora de histórias americana Brené Brown, que dedicou uma década de sua vida em pesquisas sobre vulnerabilidade, o tema é relacionado de forma muito estreita com a coragem – que significa ser você com todo seu coração. A coragem é o primeiro passo para a conexão e, para que ela aconteça, a vulnerabilidade é essencial: fazer algo sem garantias, parar de controlar e prever resultados, apenas agir segundo o coração. Para isso, é necessário reconhecermos nosso merecimento e identificarmos que somos suficientes, desapegando daquilo que achamos que devemos ser e acolhendo aquilo que somos. 

O que nos torna vulneráveis nos torna bonitos, humanos, reais. Em muitas ocasiões, fingimos que o que fazemos não tem efeito nas pessoas. Então, recorremos ao recurso da anestesia, mas esquecemos de que não é possível anestesiar nossos sentimentos seletivamente. Quando nos anestesiamos – seja através de omissão, vícios, julgamentos ou máscaras, não poupamos de blindar sentimentos como amor, gratidão, alegria e felicidade. 

Ser vulnerável quer dizer que estou vivo! Deixemos que a vida nos toque – e recebamos com sensibilidade o chamado. Quando paramos de gritar, começamos a escutar e passamos a ser mais gentis e bondosos – conosco e com o todo.

Kalinka Silveira 
Professora, especialista em gestão da produção cultural

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