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Microfibras: um alerta à sociedade

por | mar 17, 2020 | Meio Ambiente | 0 Comentários

Diante das problemáticas de poluição de rios, mares e oceanos de nosso planeta, uma das mais graves e difíceis de controlar é a poluição por microfibras sintéticas, que contaminam, matam a fauna marinha e que também são ingeridas por nós seres humanos, prejudicando nossa saúde.

Essa poluição vem das nossas próprias roupas produzidas a partir dos polímeros conhecidos como poliamida, nylon e poliéster. A poliamida é um polímero químico,  o nylon pertence à família das poliamidas e o poliéster é por nós conhecido como PET (polietileno tereftalato), todos são derivados do petróleo e utilizados na fabricação de fibras têxteis.

A solução criou um novo problema

Aqui no Brasil, tudo começou em 1919 com a vinda da empresa francesa Rhodia,  pioneira na produção de fibras artificiais e sintéticas. Através de pesquisas de impacto ambiental, percebeu-se a existência dos tecidos fabricados depois de quase 100 anos nos aterros sanitários. Preocupada em acelerar a decomposição de seus produtos nos aterros e incentivada pelo governo, a Rhodia criou um fio de poliamida que se decompõe quando entra em contato com ambientes sem luz e oxigênio, como é o caso dos aterros, não se decompondo quando em contato com a água para lavagem do produto. 

Porém, após um certo período de uso do tecido, as fibras se enfraquecem e se soltam na lavagem, levando seus micro-fios, resistentes à água, para rios, mares e oceanos. A poliamida é composta de petróleo, aromas, água e ar. Os resíduos gerados na fabricação contém ácido clorídrico(HCℓ), que é uma solução aquosa, ácida e queimante, devendo ser manuseado apenas com as devidas precauções.

Além da Rhodia, diversas outras atividades empresariais tentam solucionar problemas utilizando materiais que continuam gerando problemas, como é o caso da produção de fios a partir das garrafas PET’s. De maneira pior, o plástico no formato de  microfios também acaba nos rios e oceanos.

Assim como estas soluções geram problemas ainda maiores, percebemos no dia a dia, em nossa comunidade, atitudes que parecem ecológicas mas não são. O reaproveitamento de materiais só retarda a problemática, mas não soluciona. Temos um caso aqui na ilha de Florianópolis de uma premiação internacional por um projeto de transformação de redes de pesca em esfregão para lavar louça. O uso deste esfregão na pia em contato com água e em atrito com louças e panelas solta microfibras que irão parar no estômago dos peixes e em nosso estômago, mesmo que não comamos peixes. Basta um simples mergulho na sua praia preferida.

A proposta

Diante desses casos, é preciso que existam normativas junto ao Direito Ambiental Internacional que proíbam a fabricação de fios sintéticos de composição a partir do petróleo, gás natural ou qualquer elemento nocivo ao meio ambiente ou insalubre, como é o caso das fibras químicas sintéticas e fibras químicas inorgânicas.

O que nós podemos fazer?

Cientes dessas questões, devemos deixar de comprar roupas sintéticas. Isto é, buscar  roupas fabricadas a partir de fibras naturais. Existe um universo de fibras naturais desconhecidas por nós que podem substituir as fibras sintéticas, inclusive  resistentes a água doce e salgada, como é o caso do abacá, fibra de uma espécie de bananeira utilizada nas Filipinas na produção de redes de pescar, solucionando outra problemática que enfrentamos diariamente junto a colônia de pescadores. Podemos citar ainda fibras como algodão, juta, sisal, cânhamo, linho, malva, coco, entre outras

E o que fazer com as roupas sintéticas que já temos?

É preciso substituí-las por roupas de fibras naturais. E enquanto isso, é importante evitar que água utilizada na sua lavagem seja despejada nas vias convencionais de escoamento que levam estes resíduos aos rios e oceanos.

Uma possível solução remediável é despejar a água diretamente no solo, onde estas microfibras ficarão presas a trama vegetal fazendo parte de sua composição, podendo assim se decompor de forma menos agressiva e, se tivermos sorte, se juntarão aos fósseis e retornarão à sua origem, como carvão ou petróleo.

Por Jéssica de Mello Dondoni
Artista Ecoeducadora,  Bacharel em Relações internacionais
Estudo de Caso “Poluição do meio marinho”  enviado para a Ocean Conference Oslo 2019

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