Amor de presente

por | jan 15, 2020 | Comunidade, Sem categoria | 0 Comentários

Amor de presente

Em um passado muito próximo, em 1967 mais precisamente, a vida presenteava duas meninas: Teresinha Clarice Volkweis, na época com 17 anos, e Glória Maria Gonçalves Lobato, com 6. “Quando eu tinha 6 anos, minha avozinha faleceu. Meus pais se mudaram para a fazenda com os filhos mais moços e lá passaram um ano, para ajudar meu avô na lida diária. Na época, eu cursava o primeiro ano de escola e fui então morar no internato do Colégio Sévigné, no centro de Porto Alegre, com a minha tia Marília (em memória). Me lembro que era um lugar enorme, com corredores gigantes, e minha tia tinha muitos afazeres. Durante as noites, eu me sentia só e sentia saudades da minha avó”, conta dona Glória (61). 

.Clarice era aluna do colégio interno e, na primeira vez que viu a pequena Glória chorando no dormitório, não pensou duas vezes: aproximou sua cama e estendeu sua mão à menina. Uma mão de carinho e cuidado, que todas as noites tranquilizava a pequena Glória para dormir. “Eu a ajudava com as tarefas e no seu dia a dia, pois a irmã Marília dirigia toda a instituição”, lembra.O ano passou e Clarice e Glória se tornaram como irmãs. O carinho entre as duas foi criando laços fortes. Mas ao fim do ano letivo, suas vidas tomaram rumos diferentes e elas perderam o contato. Vinte e cinco anos se passaram até que as coincidências do Universo as aproximaram novamente. “Eu vendia enciclopédia Barsa no aeroporto Salgado Filho, quando ouvi um senhor falando no telefone e reconheci a voz dele: era o pai da Glória”. As duas se reencontraram, mas a tecnologia da época não facilitou e novamente elas perderam o contato. 

Um presente de Natal

Cerca de 12 anos atrás, a véspera de Natal levou Glória até a pizzaria da família de Clarice, por coincidência. “Morávamos ali perto e fui pedir ao pessoal da pizzaria se poderiam assar um pernil para comemorarmos o Natal. Meu esposo estava hospitalizado” conta a Glória. O reencontro foi ainda mais emocionante. E desta vez, elas não se separaram mais. Hoje dividem as histórias do presente, fazem aulas de filosofia juntas, se visitam e se cuidam, como mãe e filha. 

Com os olhos marejados e de mãos dadas durante toda a conversa, as duas se emocionam ao lembrar daquele tempo e agradecem por terem entrado uma na vida da outra. “Tudo que você planta, você colhe. Só temos a agradecer! Agradecer sempre”, encerra dona Clarice, abraçando o maior presente de Natal que a vida já lhe deu: uma mão amiga.

Porto Alegre x Praia do Rosa

Há três anos, a filha de dona Clarice, a Ana Paula, juntamente com o esposo Marco Antonio e a filha Valentina se mudaram para a Praia do Rosa. E foi assim que essa história veio parar no Jornal PDR. A vovó Clarice já colocou a de Porto Alegre à venda para fazer sua mudança com o esposo Ruy e trazer todas as suas histórias para a região em breve. 

Fotos: Arquivo pessoal