Da farinha fez-se a tradição

by | Jun 21, 2019 | Comunidade | 0 comments

Fotos: Fabrício Photos

É em memória dos pais Santina e Francisco Irineu Gonçalves que Everaldo e os nove irmãos mantêm viva a tradição da farinhada no engenho da família, em Ibiraquera. Ali, todos cresceram ajudando os pais na lida de plantar e colher a mandioca. “Naquele tempo difícil, quando tudo era feito à mão, o pai fazia 600 sacos de farinha, durante quase meio ano. Dormia às 5h da tarde e às 10h já estava de pé para trabalhar a noite toda no engenho e de manhã ir para a roça de novo”, conta Everaldo, o filho mais moço, que se emociona com a herança de conhecimento deixada pelo pai. “Se formos pros nossos filhos 50% do que o pai foi pra nós, já vai ser bom demais. Meu pai não teve o estudo, tinha só a 4ª série, mas ele era iluminado! Conhecia tudo e trabalhava por dois homens”, completa.

Com a ajuda dos amigos, eles ainda sentam em roda e descascam a mandioca na faca, ao som das conversas e das risadas. Maria, a irmã mais velha, é a forneira oficial da família. Desde quando muito pequena usava meio “arque”, uma espécie de balaio, para alcançar no forno e fazer o vai-e-vem da farinha, que hoje é por um motor elétrico. “Agora, não dá tanto trabalho. Só que não se tem tempo pra isso e nem terra pra plantar”, lamenta Everaldo.

Nesse ano, foram 38 sacos de 45 quilos cada. Mais uma missão cumprida. A farinha está pronta e é dividida entre os dez irmãos: Maria, Manoel, Ubelina, Paulino, Alcides, Romualdo, Onércia, Orlando, Adriana e Everaldo, e todos aqueles que ajudaram no processo. E tem mandioca plantada para garantir a farinhada do ano que vem, que o caçula da família teima em produzir. “Enquanto estiver vivo, eu vou continuar. Pra manter a tradição e a palavra dada para o pai antes de falecer.