Acupuntura: a arte milenar da cura

by | Jun 6, 2019 | Corpo e Mente | 0 comments

Entre as ciências da medicina tradicional chinesa, a acupuntura é uma ferramenta de promoção à saúde

Os registros mais antigos mostram que há 5mil anos, a acupuntura já era praticada pelos povos. Em alguns estudos, afirma-se que mesmo antes, lascas de pedra, de madeira e de ossos de animais eram utilizadas para promover a cura. A acupuntura é uma das ciências da Medicina Tradicional Chinesa (MTC), que inclui também a moxabustão, a fitoterapia, a auriculoterapia, as ventosas, entre outras; É a  arte de inserir agulhas em pontos do corpo chamados “ressonadores”, que estão situados nas linhas de energia que circulam pelo corpo, favorecendo o equilíbrio geral e a vitalidade, fortalecendo o sistema imunológico e, em consequência, prevenindo e curando doenças. “O processo de adoecimento do ser humano tem três fases: energética, funcional e orgânica. Por exemplo, se você fica nervoso e preocupado, isto é energético.

 Porém, se você fica nervoso e preocupado diariamente por algum tempo, você atinge a fase funcional, passando a ter uma gastrite, significando que você alterou a função do estômago. Se você continuar nervoso e preocupado por ainda mais tempo, atingirá a fase orgânica, podendo ter uma úlcera. Isso significa que você lesou o órgão”, explica a Acupunturista Elizabeth Hoffmann, que há mais de 30 anos atua na área.

A natureza do Ser

A Medicina Chinesa nasceu da observação da natureza pelo homem. “Ele viu que temos também em nosso corpo os cinco elementos: água, madeira, fogo, terra e metal, representados por órgãos e vísceras, que juntos formam um ciclo dinâmico de energia”, afirma Liz. “A cada um deles, corresponde uma estação do ano, um sabor, um psiquismo, um tecido, etc.” Quando um acupuntor faz um diagnóstico baseado no funcionamento da roda dos cinco elementos, ele tem a visão global do funcionamento de cada pessoa. O diagnóstico inclui a palpação da pele, a observação do brilho do olhar, do timbre da voz, da língua, o exame do pulso e um questionário sobre os hábitos de vida. “A partir disso, o acupuntor vai estabelecer um tratamento, visando o equilíbrio energético e a manutenção da saúde, e vai dar orientações de alimentação, estilo de vida, exercício físico, que ajudem no tratamento”, pontua Liz. “Na China antiga, o médico era responsável pela saúde de um quarteirão, e ali ninguém podia adoecer. Mas em contrapartida, as pessoas deviam seguir as orientações dadas por ele”, conta Liz.

O Yin e o Yang na prática

“Desta observação da natureza pelo homem, ele também viu que existem duas forças opostas e complementares, o yin e o yang, e que a alternância delas é o método que o Universo usa para manifestar ‘vida’. Não são forças absolutas, são forças relativas. Por exemplo: a mulher é yin e o homem é yang, mas se analisarmos duas mulheres onde uma tem mais tônus muscular, e a outra é mais fofinha, a que tem mais tônus é yang em relação a que tem menos tônus”, define Liz. “Outro exemplo: ao meio dia, o yang é máximo. Se observarmos a natureza, vemos que os animais, as aves e até os batráquios – como os sapos – procuram dormir, pois a energia do corpo encontra-se em tumulto, é preciso repouso, que é yin; É o momento em que nosso coração recebe sua energia de nutrição que, segundo o pensamento chinês, ocorre entre 11h e 13h. É necessário parar para reabastecer e receber a energia do coração e você também precisa fazê-lo. É neste horário que ocorre o maior número de infartos do miocárdio. Lembre-se: você também é natureza!”

Ferramentas de cura

Feito o diagnóstico, o acupuntor utiliza-se de diferentes ferramentas da MTC para reestabelecer o equilíbrio energético. 

– A moxabustão é o aquecimento de determinados pontos com um charuto de artemísia prensada, com o intuito de vitalizar e eliminar as energias nocivas que invadem o corpo.

– A ventosa movimenta a energia estagnada de uma linha de energia por meio do vácuo gerado dentro de uma cúpula de vidro.

– As massagens, como a Tui Na, que busca acionar os efeitos de cura do próprio organismo pelos estímulos de mãos, dedos, punho, cotovelos, etc.

Também é muito importante no tratamento estimular a reflexão sobre os vícios comportamentais: a crítica, o julgamento, o ressentimento, a queixa, a falta de gratidão, de perdão e de aceitação, lembrando que isto não nos acrescenta nada, e esvai nossa energia”, pontua Liz.

Vida em equilíbrio

Foi em busca do equilíbrio para sua vida, que o Filipe Costa Krause procurou a acupuntura aos 15 anos. Interessou-se tanto pela Medicina Chinesa que hoje trabalha com massagens e outras terapias. “Para mim é uma arte. A arte de Sanar. É como uma filosofia de vida. Faz com que observemos o que nos rodeia e tentemos nos harmonizar com o Yin e Yang, com os ciclos da natureza, buscando esse equilíbrio”, conta.

Dicas para o dia a dia

Liz afirma que em cada momento do dia, temos a oportunidade de trazer mais equilíbrio para a vida. “Seja por meio de uma alimentação equilibrada, que contenha as cinco cores dos elementos: preto, verde, vermelho, os amarelos e laranjas e o branco; e também os cinco sabores: salgado, ácido, amargo, doce e o picante; seja por cuidar de seu sistema imunológico usando equinácea quando sente que sua resistência baixa. Para um dia triste, um pouquinho de pimenta, que é quente como o sol e traz alegria, uma boa dose de atividade física ou uma caminhada ao ar livre. Se exagerou na bebida, use cítricos para equilibrar o fígado, que está sofrendo”, aponta. “Use a filosofia da Medicina Tradicional Chinesa, observando e imitando a natureza para viver em harmonia. Tenha respeito por seu corpo, use a capacidade de pensar e escolher, que nos caracteriza humanos, para ter uma velhice digna. Namaste!”