Mulheres de fibra

Neste mês da mulher, recordamos personalidades da região que são símbolo de força,garra e sabedoria, que trazem o equilíbrio do sagrado feminino para o mundo a sua volta

O sonho da educação de qualidade

Natural de Curitiba, Fernanda Kremer Guetter Hilú dedica sua vida para a educação. Desde 2013, se concentra na Escola Maria Corrêa Saad, no Campo D’una. Primeiro como professora de língua inglesa e, a partir de 2017, na Direção da instituição, chegando quando a escola estava interditada. “Trabalhei três turnos arduamente para suprir a ausência de alguns funcionários e consegui regularizar todas as lacunas. Em janeiro de 2018, com a ajuda da comunidade, da professora Elaine Coelho, das serventes e da minha família, revitalizamos o espaço para iniciar o ano letivo”, lembra. “Hoje me sinto realizada pela oportunidade de fazer a Saad ser respeitada como exemplo para as demais escolas da região. O abandono me sensibilizou ao assumir essa missão quase impossível. Os resultados são surpreendentes! Uma escola limpa, organizada, alunos disciplinados, professores comprometidos, e demais funcionários trabalhando com muito profissionalismo. Sonho realizado!”, comemora. “Ser mulher no mundo de hoje é lutar pela igualdade, para ser respeitada profissionalmente, por um país melhor, onde os sonhos podem se tornar realidade. Basta acreditar e trabalhar com amor e carinho. Eu acredito.”

Uma vida de amor ao próximo

Santina Damazio Alexandrina é um exemplo de luta. Foram 36 anos como professora na região, duas gestões como presidente da Rede Feminina de Combate ao Câncer de Mama de Garopaba e 14 anos de voluntariado ajudando dezenas de mulheres a enfrentar a sua dor. “Amo de paixão ajudar ao próximo. Me sinto grata por fazer parte dessa causa maravilhosa e gostaria de ficar nela até o resto da minha vida.” Há seis anos, ela própria venceu a doença, fato que segunda ela, a fez valorizar ainda mais a vida. “O câncer passou por mim, deixou um carimbo e se foi. É uma honra poder ajudar outras mulheres, falando de prevenção e dos sinais de alerta. Quem se ama se toca, se cuida. E quando diagnosticamos a tempo, a chance de cura é de 99 a 100%. Não devemos reclamar ou nos desesperar. Devemos erguer a cabeça e seguir em frente. Se tratar, se cuidar, porque somos seres feitos para passar por altos e baixos. E com a ajuda de familiares, amigos e de Deus, conseguimos vencer!” Mãe, esposa, avô, esportista e apaixonada por Garopaba, Santina se considera uma vencedora, que leva pela mão, muitas outras mulheres para o caminho da vitória.

A sabedoria nunca envelhece

Aos 89 anos, todos vividos em Ibiraquera, dona Edite da Silveira Campos viu a modernização de sua terra. As facilidades trazidas pela água encanada e pela chegada da luz elétrica. Pescava, tirava marisco do costão, de manhã cedo com mar manso e maré baixa. A maior parte do tempo era na roça, plantando cana de açúcar, feijão, mandioca, cará da terra, taiá, batata doce. “A gente tinha de tudo da lavoura. É tão bom comer o que vem direto da terra. É outro gosto!” Da terra também vinham as ervas que curavam os males, pois médico não havia. “O mais difícil naquela época era adquirir dinheiro. Tudo era muito baratinho, venda quase não tinha. Hoje em dia, o mais difícil é conviver com o vício dessas drogas fortes. Nós ia pegar um siri de noite na lagoa e não tinha grande medo. Hoje, nós confessamos medo. A lagoa não é mais segura pra uma mulher pescar”, lamenta.

Alegria centenária

Natural de Ibiraquera e moradora da região por todo o século de vida, dona Gracilina Umbelina de Jesus Borges foi parteira por 50 anos, entregando mais 500 crianças às mães por puro amor. Da agricultura e da pesca viveu e cuidou da família. Costurava com maestria a máquina que tem quase sua idade. Mãe de 13, avó de 68, bisavó de 77 e tataravó de 20 – aproximadamente – ela completa seus 101 anos em abril e com a experiência de tantos anos bem vividos, se permite um conselho: “Cuide da sua mulher. Abrace ela, beije, trate bem.” Os cabelos branquinhos, os passos curtos do corpo curvado e o belo sorriso são o retrato de um olhar da vida com pouca vista, mas que enxerga tudo com gratidão.

A força da mulher pescadora

Lucenir Marques Gonçalves, dona Cecê, foi dona de uma das primeiras carteiras de pesca artesanal do território nacional, em 1981. Também já foi funcionária pública de Imbituba, servindo merenda para as crianças da creche de Ibiraquera; manicure e cabeleireira, profissões que tornaram possível erguer a casa própria – que ajudou a construir com as próprias mãos. “Aqui eu capinei, plantei árvore, fiz sapata, estrivo e ajudei a concretar”, lembra. Hoje, aposentada, continua com aquilo que lhe dá mais prazer, a pesca. Da Lagoa de Ibiraquera, tirou quilos de camarão que criaram os três filhos sem medo. “Quando tá dando camarão, chego às 6h da manhã. Ando por esses caminhos tudo sozinha, faço toda a costa da Lagoa do Saco, sempre rezando a oração que a dona Tita (Maria Josina) me ensinou”, conta. “Sigo firme, porque tenho saúde. E sigo pescando porque me faz bem.”