Glaucia Rosa Damazio

Glaucia Rosa Damazio

Jornalista e editora do jornal PDR

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Não queremos flores

exemplo do Dia da Consciência Negra, o Dia Internacional da Mulher não é uma data comemorativa, mas de reflexão. Um dia para olharmos para universo feminino e tentar compreender quantas batalhas já foram travadas em busca da igualdade de gênero e quantas mais ainda precisamos enfrentar. Segundo as pesquisas da plataforma Violência contra as Mulheres em Dados do Instituto Patrícia Galvão, que reúne informações relacionadas à violência contra as mulheres no Brasil, nove mulheres foram agredidas por parceiros ou ex-parceiros por minuto em 2018. Somos o 5º país no mundo que mais mata mulheres por razões passionais, o famoso feminicídio. São três mulheres mortas por dia. Neste momento, possivelmente uma delas está perdendo a vida. Não queremos flores, chocolates, felicitações. Queremos o direito de viver em paz!

Queremos liberdade para caminhar na rua sozinhas a qualquer hora, vestidas conforme nossas escolhas, sem correr o risco de ser agredidas física ou verbalmente. Pois cantada nunca foi elogio. É assédio! Queremos o fim da violência velada, que nos despe com os olhos quando cruzamos a esquina ou quando somos julgadas por outras como nós por não ter um comportamento condizente com uma “mulher de família”.

Neste mês da mulher, o meu convite para reflexão é diário, de que nos perguntemos a cada julgamento “E se ela fosse homem? O tratamento seria o mesmo?”. Pois um agressor não nasce agressor, mas aprende com a nossa cultura sobre o respeito e a valorização, com fatos cotidianos, nas brincadeiras da escola, nas piadas em rodas de amigos, na descontração do almoço familiar. É preciso desconstruir, dentro de nós mesmos a objetificação do ser feminino. Não queremos carinho no ego, queremos ser vistas como somos: profissionais, cidadãs, seres humanos que possuem vagina. Não queremos flores. Queremos respeito!