Pegue leve no Carnaval!

O uso e abuso de álcool e outras sustâncias no Carnaval não é novidade para ninguém. Mas você sabe mesmo do que estamos falando?

Carnaval é tempo de folia. E isto pode ser sinônimo de prejuízos à saúde – física, mental ou social – se não levados em conta os riscos de extrapolar na festa. Segundo o Global Drug Survey 2017 (Relatório Mundial de Drogas), realizado em 50 países, o álcool lidera o ranking como a droga mais consumida do planeta, e está entre os líderes na busca de Atendimento de Emergência após o abuso, logo atrás das metanfetaminas.

O Médico Psiquiatra e Psicoterapeuta Rodrigo Riefel Guimarães acredita na importância da informação e reflexão das pessoas para minimizar danos a si mesmas ou a terceiros. 

“O uso e abuso de álcool e outras substâncias existe há muito tempo na história da humanidade e continuará existindo. E este uso pode se tornar um grande problema dependendo de que droga é usada, quem a usa (especialmente estado de espírito e personalidade), porque precisa usar, em que contexto e como as pessoas a usam. Durante o carnaval é um momento que as pessoas excedem-se no consumo delas.”

Eu bebo e estou vivendo…

Segundo a Organização Mundial da Saúde, 3.3 milhões de pessoas morrem anualmente em decorrência de doenças causadas pelo álcool. No último estudo da OMS (2010), o brasileiro com idade acima de 15 anos consumiu de 7 a 10 litros de puro álcool durante o ano – observe que uma cerveja comum tem cerca de 6% de álcool.

A associação entre duas substâncias legais também pode ser tão ou mais perigosa quanto o consumo drogas não legalizadas.

“O álcool é uma substância depressora do Sistema Nervoso Central, mesmo que o efeito inicial seja levemente estimulante e desinibidor. Associado a medicamentos calmantes, como os benzodiazepínicos (Diazepan, Rivotril), potencializa-se os efeitos depressores aumentando a sedação, depressão respiratória e circulatória, perda de consciência e até morte. Já o uso do álcool com estimulantes como cocaína, anfetaminas e seus derivados, fazem com que o indivíduo sinta necessidade de doses muito maiores de álcool para se sentir embriagado, aumentando os riscos de intoxicação e morte”, enfatiza Rodrigo.

O médico pontua os prejuízos reais como muitos e diversos. A curto prazo, há o estreitamento da consciência, incapacidade de perceber a realidade, perda da coordenação motora, confusão, desatenção, euforia, exaltação e perda do juízo crítico, podendo chegar ao coma alcoólico ou uma overdose. Entre os adolescentes, o abuso de drogas é a origem de muitos problemas de saúde mental.

“Como ainda estão com seus cérebros em formação, ficam mais vulneráveis a problemas de humor, ansiedade, transtornos de aprendizagem e comportamento, ou até mesmo desencadear um quadro psicótico, como esquizofrenia”, alerta.

Meu amigo caiu! E agora?!

Quem nunca precisou auxiliar um amigo ou conhecido que se excedeu na comemoração, que atire a primeira pedra! Deparar-se com uma pessoa que abusou de álcool ou outra substância não é razão para negar ajuda. O Psiquiatra lista algumas dicas para saber o que fazer em um caso como este.

– Retirar a pessoa para um local calmo e tranquilo;

– Avaliar o nível de consciência, se está ouvindo e respondendo; “Se não responder, experimente dar um beliscão e veja se há reação a dor”, sugere.

– Avaliar respiração e frequência cardíaca;

– Averiguar o tipo ou tipos de drogas utilizados e a via de administração;

– Avaliar a quantidade utilizada e há quanto tempo foi feita a última dose;

– Hidratação quando consciente e necessário; “Se observar baixa consciência, alterações na respiração e frequência cardíaca, ou notar que a pessoa fez uso de grandes quantidades de drogas há pouco tempo, deve-se levá-la para um centro médico de urgência para um preciso monitoramento e condutas para neutralizar os danos”, finaliza o Médico.

Em caso de emergência: Ligue SAMU 192

Fontes: Global Drug Research 2017, World Health Organization